“Louvo a
amizade do amigo
Que comigo há
de morrer
Louvo a vida
merecida
De quem morre
pra viver
Louvo a luta
repetida
Da vida pra não
morrer”.
(Gilberto Gil, em “Louvação”)
De todas as
providências legais visando a amenizar os efeitos do Coronavírus, nos estados e
municípios brasileiros, a interdição temporária de templos religiosos talvez seja
a que provoca maiores resistências.
Povo de
fortes tradições religiosas, o brasileiro tem arraigada intimidade com os
cultos e com as obrigações impostas por suas crenças.
No catolicismo, a obrigatoriedade do
comparecimento às missas dominicais, o culto festivo aos santos, as procissões
em louvor deles, as peregrinações em pagamento de promessas, os sacrifícios por
“graças alcançadas”, compõem hábitos
intrinsecamente ligados aos costumes e à fé popular. Abster-se deles, para
muitos, gera mal-estar que beira o pecado e pode atrair castigos.