sábado, 20 de junho de 2020

ESPIRITUALIDADE FORA DOS TEMPLOS

Por Milton Medran Moreira*

“Louvo a amizade do amigo
Que comigo há de morrer
Louvo a vida merecida
De quem morre pra viver
Louvo a luta repetida
Da vida pra não morrer”.
(Gilberto Gil, em “Louvação”)

            De todas as providências legais visando a amenizar os efeitos do Coronavírus, nos estados e municípios brasileiros, a interdição temporária de templos religiosos talvez seja a que provoca maiores resistências.
            Povo de fortes tradições religiosas, o brasileiro tem arraigada intimidade com os cultos e com as obrigações impostas por suas crenças.
 No catolicismo, a obrigatoriedade do comparecimento às missas dominicais, o culto festivo aos santos, as procissões em louvor deles, as peregrinações em pagamento de promessas, os sacrifícios por graças alcançadas, compõem hábitos intrinsecamente ligados aos costumes e à fé popular. Abster-se deles, para muitos, gera mal-estar que beira o pecado e pode atrair castigos.